arrependimento

A gente está juntos há uns dois anos, quase três. Ou estávamos juntos, para ser mais preciso. Na verdade, se a questão é ser exato, deve dar para contar nos dedos os dias em que estivemos juntos de fato. Quero dizer, com aqueles rótulos que as pessoas pregam nos relacionamentos e em paz, como um casal normal. Se é que isso existe. Mas vivemos por alguns dias – dias isolados, admito – sem maiores dramas. Em todos os outros, íamos e voltávamos, como um ioiô nas mãos de uma criança de seis anos.

Ela era a criança. Eu, o brinquedo.

Sei lá qual é o problema das mulheres – ao menos das que tive contato. Os poucos anos de experiência que tenho ao lado delas só me deixam mais confuso se mudar de ideia o tempo inteiro é o que elas gostam de fazer nas horas vagas ou se elas nunca sabem o que querem mesmo.

São tantos subterfúgios, tantas invenções desajustadas para fugir do óbvio. Às vezes, em uma ocasião ou outra dessa vida que corre desvairada, você se apaixona. Em situações um pouco mais espaçadas, mas não raras, com sorte, você é correspondido. É o mundo te oferecendo algumas noites de insônia e a oportunidade de perder peso suando frio e com a falta de fome.

Mas, no final, todo mundo sabe – porque todo mundo já sentiu uma vez que seja esse tal de amor corroer, sei lá, acho que bem na boca do estômago – o quanto dói ficar junto. E o quanto dói infinitamente mais ficar separados.

O que há de complicado nisso, garota?

O óbvio para mim é que eu me apaixonei. Faz tempo. E não dá para continuar sem você.

Aposto que você está aí agora, exercitando a sua destreza nata de formular qualquer história dessas sem pé nem cabeça para viver longe de mim. Mudando de ideia aqui e ali sobre o nosso final que só depende de você para ser feliz.

Vai que você já mudou de ideia e está louca para voltar.

Se for assim, não hesite.

Mas, caso você só não saiba o que quer, será que posso te ajudar a decidir?

Sei lá, só volta.

Vou estar no mesmo lugar, debaixo do mesmo edredom desbotado, vestindo a mesma calça velha que você adora, esperando um sinal da campainha, do celular, na caixa de e-mail. Sabe como é, são as leis da física, cedo ou tarde o impulso leva o ioiô de volta ao eixo.

Meu eixo é você.

 

 

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