quase música

Eu queria te escrever. Em uma carta, num poema ou em um bilhete de letras miúdas que eu colocaria meio sem querer no bolso do seu jeans surrado e, quando você descobrisse, alegaria, sem graça, que achei que você devia saber o que significa para mim. Para aliviar meu coração e inflar sua vaidade. Aí pensei dois instantes mais e ri. Que besteira! Você não precisa estar escrito em canto algum para aliviar meu coração, você só precisa estar. Aqui. De preferência, comigo. Isso alivia meu mundo inteiro.

Além do mais, por que me preocupar? Você já está escrito em meia dúzia de canções que eu sintonizo no rádio do carro quando corro por aí fugindo das lembranças. Aposto que o compositor se inspirou na nossa história para criar cada rima. As ricas, as pobres e também as que não rimam mas soam como música aos ouvidos, de tão cheias de poesia misturada com realidade.

A gente é meio assim. A gente não rima. E, mesmo assim, somos poesia. Se a vida fosse música, você seria meu refrão. Eu colocaria nós dois no repeat e nem me importaria se você quisesse coreografar meus passos. Eu deixo você conduzir a dança.

Só que a vida é texto corrido. Sem ritmo, descompassada e desafinada. Se pudéssemos separar as coisas em estrofes, eu seria sua garota ainda neste verso. Pena que nossos parágrafos não tem licença poética. Talvez em uma outra vida…

Quer saber? Esqueça as canções. Você para mim é uma música ao longe, igual no livro do Érico Veríssimo. Cuidado. Toda vez que você se aproxima, eu ouço melhor. As notas cantam que não dá para diminuir o volume. E agora? Acho que você já é sinfonia em mim.

 

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