estação da chuva

Sei lá por que as pessoas comemoram sempre que a primeira tempestade vem, toda decidida a acabar com a seca.
Dias de chuva não passam de uma forma cretina e covarde de oficializar a chegada da estação da saudade. Cretina porque é um banho de água fria, com umas colheres de açúcar e precipitações de sentimentalismo para quem tem em casa goteiras de solidão. E covarde porque, sério, não é justo chegar assim desprevenida, relampejando na gente trovões do desejo reprimido de dividir o guarda-chuva com alguém.
Passo os olhos, distraído, pelo quarto. Sinto falta de ter que simular uma arrumação para receber você no meu mundo. Você quer fazer parte dele, eu sei. Coloco os Beach Boys para tocar. Eles dizem que a gente pode ser feliz juntos. Não seria legal?
Vou até a janela para ver os pingos caírem, lá do lado de fora. Vão se derramando compassados, lavando as almas e os corpos dos outros. Eu fico aqui, todo alagado por dentro da maior vontade de nós dois na minha cama de novo, jogando conversa fora. Desajeitados, de cabeça para baixo, observando, com calma, a bagunça que ficam seu coração e minha cabeça quando decidimos nos organizar assim, bem perto um do outro.
Você é uma tormenta em mim, com vento forte e cheiro de que muita água ainda vai rolar. Mas, não sei, acho que seria mais divertido se, enquanto a água rola por aí, você estivesse aqui comigo.
Eu só preciso ter mais coragem que a chuva e te contar meu plano de mudança de estação.

 

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