entre o fim e o começo

Não sei, as pessoas vivem perdendo amores da vida por aí. Quando as luzes se acendem num fim de tarde qualquer, em geral, a noite contabiliza mais corações partidos do que corações inteiros na imensidão desta cidade e acho que das outras também.

Outro dia eu mesma perdi um. O mundo acabou por três ou quatro instantes. Mas você estava lá comigo. Fez questão de me ajudar a reerguer os destroços. Me ensinou como devem ser os tetos para não desabarem. Reconstruiu alguns sorrisos e, no fim da tarde, apesar do coração partido, meus pilares estavam mais resistentes.

Agora eu estou aqui com você. Eu sei que dói e possivelmente nada vai ter muita graça durante esta e quem sabe até a próxima estação. Sei que era ela e que sobraram apenas arrependimentos. E que se você pudesse voltar atrás…

Você não vai sentir vontade de outras pessoas. Sua voz não vai querer falar mais alto, seu riso não vai ressoar longe e suas opiniões não ganharão forma de palavras. Vai parecer que nada importa, só porque ela não está ali.

É verdade, chegamos a um ponto em que sua vida muda drasticamente. E vai mudar para melhor, pode ter certeza. Tramas de novelas e romances sobre desventuras se resumem à sofrimento, a vida real tem altos e baixos. Você está por baixo. Hoje.

Encare como o meio do caminho entre o chão e o topo. Há um longo trajeto a se escalar. Mas isso nunca foi problema para você.

Nem tudo está perdido. Você pode escutar aquele acústico do Pearl Jam que você tanto gosta a todo volume e passar a tarde de sábado lendo A Insustentável Leveza do Ser. Alguém tem que velar este amor.

Se esse alguém não for você, que tal uma noite estrelada, duas garrafas de vinho e boa companhia para jogar papo fora?

Com carinho e enorme saudade,

Uma amiga

 

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