dia de sol

Estou sentada em um muro. De frente para os trilhos de trem, na beira do rio. As gaivotas voam agitadas. Acho que celebram o sol. Todos celebramos.

Do outro lado do rio, está um casarão abandonado. Ao meu redor, estendem-se quatro adoráveis pontes.

Este lugar parece um sonho. Não me refiro à cidade – apesar dela me oferecer inúmeras vivências surreais –, falo, especificamente, da muretinha perdida em um vilarejo simplório da região. No final das contas, a beleza está, esporadicamente, onde menos se espera.

Inclino o corpo para observar uma bandeira de Portugal que sacode, nervosa, apontando para o rio. Um trem passa abruptamente diante do meu nariz. Levo um susto. E sorrio.

Só sei sorrir. É difícil explicar a felicidade que sinto. De repente, coloquei os pés na rua e descobri vida do lado de fora.

A claridade do sol nos infla a alma. Dá vontade de chorar. É que é tão bonito perceber que tem um monte de gente pelas ruas. Sendo, apenas.

Toda vez que o astro-rei dá as caras no horizonte disposto a iluminar nosso Porto, eu me apaixono. Não sei bem se é pela cidade ou pelo constatação de que estou viva. Vai ver, é pelos dois.

Duas ou três canoas deixam-se levar, bem devagar, pela correnteza. Tento imaginar se os remadores estão também fascinados pelos encantos de existir. Estão, só pode. É impossível resistir.

Os azulejos das construções exibem seu colorido. Roupas no varal voltam a enfeitar as fachadas das casas portuguesas. A avó e a neta se penduram na janela para espiar o mundo inteiro. Gatos se espreguiçam nas calçadas. Um cachorro cruza correndo.

Enquanto os trens passam. Passam. Passam.

Hoje eu não quero passar, como um trem. Quero ficar aqui. Bem aqui. Que é aqui que se encontra a felicidade.

 

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