arquivo

tia-bisavó

Quando conheci vó Quita, ela já era uma senhora de cabelos curtos e totalmente brancos, coberta de adoráveis rugas, uma ilustração natural dos percursos que atravessou em seu quase século de vida. Tenho uma lembrança distorcida do seu aniversário de 90 anos. Foi uma...

desordem

Eles chegam na repartição todo dia às 7h da manhã. Francisca, na verdade, desce na parada mais próxima às 6h37. Para não perder a hora, já às 5h20 ela está preparada para cruzar a fronteira entre Goiás e Distrito Federal. Isso em dias normais. Nas ocasiões em que o...

um conto de Natal

Ele mora na rua. Não tem lugar certo para dormir. Mas, nesta época do ano, gosta de ficar na rodoviária. Entre as felicidades que quase não tem, estão as luzes de Natal. É quando o Eixo Monumental deixa de ser uma opaca simetria e ganha cores e vidas. Ele não disse...

Fagulhas

A gente se torna mulher, disse Simone, em um de seus consagrados escritos, lá por meados de muito tempo atrás. E essa ideia, então – e enfim – transposta em palavras, ressoa ainda no dia após dia de cada menina que vem ao mundo. Uma amiga querida me contou que fica...

um forte abraço

Era um domingo de céu tão azul quanto despreocupado. O inverso de nós todas. O encontro foi marcado às pressas. A urgência era o sentimento predominante daqueles dias. A gente sentia que tinha de fazer algo, rápido, senão. Bom, o resto da história vocês já sabem. Está...

Querida, primavera

Que bom que você veio, enfim. Aguardávamos o seu colorido com ansiedade. Por aqui os dias têm sido cinzentos, mesmo aqueles de céu azul-imenso. Um amigo alertou, em um outono distante, que #elenão conseguiria deter a sua chegada. Mas a gente tem perdido um monte de...

A entregadora de jornais

Ela era uma senhora esquelética e andava encurvando as costas, como se fizesse um grande esforço para ajustar naquele corpo pequeno o mundo que guardava dentro de si. Nos conhecemos em uma parada de ônibus no Eixo Monumental, na altura da Praça do Cruzeiro. Não sei, até hoje, o seu nome. Mas lembro bem de suas histórias.

Um dia, afinal

Vai passar. Quando a exaustão bate à porta, ligo o som para ouvir, de mansinho, um rastro qualquer de esperança. Escuto a voz dessa gente que há décadas resiste. Eles sopram rimas de força bruta, escondidas por entre versos discretos. Os desatentos nem percebem. Mas a...

Brasília, 31 do 3

Oi? Você, provavelmente, nem está mais aí. Mas eu, sem mais, sem menos, só queria saber: como vão as coisas? Não te escrevo de mês em mês já há anos, não? Chega a ser risível como a vida corre e a gente tropeça nos próprios passos, um pouco aqui, outro acolá, até se...

Olá, estranha

Como vai você? Cheia de novidades, suponho. Mais de três anos se passaram. Reparou? Encontrei sua família na rua dia desses. Fiquei feliz em vê-los. É sempre bom ter notícias de velhos amigos. Na verdade, até nos dias em que te avistei de relance por aí, me senti bem....

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