à margem do porto

A gente vai levando uma vida meio capenga. Aí, onde se passa a vida real.

Aqui, a vida é plena. Plena de minúcias que nos fazem sentir mais vivos.

As tardes são demaseado corriqueiras. Na parede do casario antigo da loja de verduras da esquina, uma placa: alface por € 0,99. O néon das farmácias portuguesas jamais dorme. O carro, como de costume, não respeita a sinalização e fura o sinal vermelho. A avó, que atravessa a rua de braço dado com a neta, vai reclamando. “Podia ser uma criança na faixa”, resmunga.

Azulejos verdes, azuis e cor de rosa enfeitam a fachada dos prédios de dois andares. Alguns têm desenhos elaborados, outros, rachaduras, e muitos unem ambas as características. O padeiro tem mesmo um bigode bem grande e é possível que o nome dele seja Manuel, Miguel ou – quem sabe? – Joaquim.

Ninguém corre. Não há pressa. Há ritmo. Metade compassado, metade silencioso. O céu se mantém azul-bem-forte. E o mar tem todo o charme e fúria de quem não convida ao banho, apenas à observação. Ele quer que observemos a finitude do infinito, lá no horizonte.
Os velhos usam boinas e blusões de lã, as senhoras usam saias longas e as crianças voltam da escola subindo e descendo ladeiras e, na sequência, saem às ruas para brincar.
Até que os dias se invertem e, quando menos se espera, já é noite, mais uma vez.

 

 

As luzes das Galerias de Paris e da ponte do Gustave Eiffel indicam outra vida, outro ritmo, outro compasso, nenhum silêncio. Mas isso já é outra história.

 

 

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